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31/05/2010 14:18

Extrair petróleo vai custar ainda mais

Após ter triplicado em cinco anos, o aumento do custo será maior após o vazamento no Golfo do México
 
"A gente vai assistir um incremento de custos para definir novas práticas dentro da indústria que venham a segurar, dar um grau de confiabilidade maior, para evitar um desastre como esse que ocorreu", afirmou o consultor do Ipea Helder Queiroz na apresentação do  Comunicado nº 55 do instituto em 01/06, no Rio de Janeiro, em coletiva à imprensa e com a participação de analistas do mercado. "Pode subir o custo de exploração e produção", afirmou o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Fabiano Pompermayer. "Essa mão de obra hoje está no limite, então será preciso um salto em termos de quantidade e de qualificação para que ela possivelmente possa não se constituir em um gargalo ao desenvolvimento da indústria", acrescentou Queiroz.
O estudo do Ipea mostrou que o custo de extração do petróleo triplicou em cinco anos. A alta reflete a escassez mundial de equipamentos e serviços e exploração de áreas mais inóspitas e profundas
 
Parte da série Eixos do Desenvolvimento Brasileiro, o estudo analisa a interação entre os principais fatores determinantes das estratégias empresariais e das diretrizes de política energética da indústria nacional e mundial de petróleo e de gás natural. O evento ocorreu na representação do Instituto no Rio (Avenida Presidente Antônio Carlos, 51, auditório do 10º andar, Centro).
 
Os pesquisadores verificaram que, no caso brasileiro, houve claramente um aumento dos custos de extração, que chegaram a triplicar, sem considerar as participações governamentais. Esse fato reflete não somente um cenário de escassez mundial de equipamentos e serviços, como também a expansão da fronteira petrolífera em direção a áreas mais inóspitas - leia-se, no caso brasileiro, a exploração offshore em profundidades cada vez maiores.
 
Para dar conta dos custos elevados, será necessário um imenso esforço de inovações tecnológicas, para maximizar o petróleo e o gás natural a serem produzidos. Igual ênfase precisará ser dada aos aspectos institucionais, políticos e regulatórios. Afinal, a fronteira de exploração e de produção do pré-sal estabelece uma mudança radical nas condições de contorno da indústria brasileira do petróleo, com fortes repercussões sobre a estrutura de arrecadação e aplicação de participações governamentais.
 
Os dados foram apresentados pelo diretor de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea, Marcio Wohlers; o coordenador de Infraestrutura Econômica, Carlos Campos; o coordenador de Desenvolvimento Urbano, Bolívar Pêgo; o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Helder Queiroz, e o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Fabiano Pompermayer.
  
Série
O Comunicado nº 55 faz parte de um conjunto amplo de estudos sobre o que tem sido chamado, dentro do Ipea, de Eixos do Desenvolvimento Nacional: inserção internacional soberana; macroeconomia para o pleno emprego; fortalecimento do Estado, das instituições e da democracia; infraestrutura e logística de base; estrutura produtivo-tecnológica avançada e regionalmente articulada; proteção social e geração de oportunidades; e sustentabilidade ambiental.
 
A série nasceu de um grande projeto denominado Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro, que busca servir como plataforma de sistematização e reflexão sobre os desafios e as oportunidades do desenvolvimento nacional, de forma a fornecer ao Brasil o conhecimento crítico necessário à tomada de posição frente aos desafios da contemporaneidade mundial.
 
Dentro da série, ainda serão divulgados comunicados sobre telecomunicações  e experiências latino-americanas. Cada capítulo dará origem a um Comunicado do Ipea, que tem por objetivo antecipar estudos e pesquisas mais amplas conduzidas no Instituto, como é o caso da obra completa, que terá dez volumes e cerca de 9 mil páginas. O livro sobre infraestrutura econômica terá cerca de 700 páginas.
 
 

Próximos comunicados da série Eixos do Desenvolvimento Brasileiro:
 
2/6 - Experiências latino-americanas em infraestrutura econômica (Brasília-DF)
 
7/6 - Desafios e oportunidades do setor de telecomunicações no Brasil (São Paulo-SP)

 
 

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