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28/08/2012 11:33

Seminário discutiu a situação da indústria nacional

Pesquisadores consideram natural a realidade do setor e criticam infraestrutura de transportes

O fato de a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto ter caído nos últimos seis anos não assinala um retrocesso econômico do setor. Essa foi a principal mensagem do seminário Desempenho industrial e vantagens comparativas reveladas, promovido pelo Ipea em 15 de agosto, no Rio de Janeiro.

Apresentado pelos diretores do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), Sandra Polônia e José Tavares Jr., o estudo que motivou o seminário divide-se em duas partes. Na primeira, o desempenho do segmento no Brasil foi analisado em função dos coeficientes de exportação e importação e, na segunda, ampliou-se o foco a partir de indicadores de vantagens comparativas reveladas e do desempenho das exportações brasileiras no mercado mundial.

A pesquisa defende que a alta do câmbio não afetou as vendas externas da indústria, uma vez que essas somaram US$ 92,3 bilhões em 2011 e atingiram o segundo maior patamar na história do país. Além disso, o crescimento de 33% do valor da produção a preços constantes entre 1996 e 2011, e o fato de o coeficiente de exportações ter aumentado de 9% para 19% até 2005, tendo permanecido em 15% desde 2009, atestam um dinamismo econômico real.

Quanto ao coeficiente de penetração de importações, que aponta a presença de produtos importados no mercado doméstico, houve um salto de 10% para 21% nos últimos 15 anos. Mesmo assim, a parcela do PIB relativa às importações de bens de serviços foi de apenas 12%, a menor entre os 155 membros da Organização Mundial do Comércio.

Distribuição
Nas palavras de José Tavares, esse número é baixo porque o Brasil é um país de dimensões continentais com uma infraestrutura de transportes precária. Para que as importações cresçam, é necessário criar cadeias de distribuição nacional. Entretanto, a avaliação de que a qualquer momento o importador pode estar fora do mercado devido a uma depreciação na taxa de câmbio ou uma medida protecionista do governo limita esse investimento.

Ainda sobre as importações, foi mostrado que seu aumento, na maioria dos casos, não é determinante para o fraco desempenho de setores da indústria. Um exemplo positivo foi a elevação das importações nos segmentos de geradores e transformadores, e de máquinas e equipamentos, que não impediu um crescimento do valor da produção nacional.

Por fim, os pesquisadores ressaltaram que a alta nos preços das commodities brasileiras e o consequente crescimento do valor total das exportações entre 2006 e 2011 resultaram num aumento da participação relativa das vendas ao exterior no PIB. Como efeito indireto disso, tivemos uma queda na participação relativa do setor industrial, fenômeno, até certo ponto, normal.

Entretanto, em tom de crítica, os autores disseram, nas conclusões, que essa preocupação com a “primarização” da matriz exportadora brasileira e a ausência da indústria nacional nas cadeias globais de valor é reforçada por políticas públicas incoerentes. Um exemplo claro está na regulação dos portos de 2008, que limita a circulação de contêineres em terminais públicos.


 

 
 

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