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26/10/2012 18:04

Tendências do mercado de trabalho foram debatidas no Ipea 

Seminário foi resultado da rede de pesquisa entre o Instituto, ABDI, MTE, MEC e CNI

 

Nesta quinta e sexta-feira, dias 25 e 26 de outubro, foi realizado o seminário Formação e Mercado de Trabalho, na sede do Ipea, em Brasília, em que se discutiram temas como qualificação profissional, tendências do mercado, indicadores de produtividade, entre outros. O debate faz parte do lançamento da rede de pesquisa sobre o tema, do qual participam o Instituto, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Ministério da Educação (MEC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O técnico do Ipea Divonzir Gusso enfatizou as variações regionais na dinâmica do emprego e os novos modos de crescimento do setor terciário. Ele explicou que efeitos combinados de expansão do agronegócio, de desconcentração de investimentos e do crescimento industrial, somados às novas frentes de expansão do turismo e à nova configuração do mercado nacional (menos “arquipélago”) determinaram variações importantes nos ritmos de crescimento do emprego fora dos eixos metropolitanos tradicionais.

“Possivelmente, um dos fatores de peso na redução da informalidade resida nos ritmos, diversificação e inovações em curso no terciário, tanto naqueles segmentos mais diretamente articulados aos estratos modernos da indústria e ao agronegócio, como nos serviços tradicionais impulsionados pela ascensão de novos contingentes ao mercado”, afirmou Divonzir.

Para a representante do BNDES, Ana Além, “a importância de o Brasil ter retomado uma trajetória de crescimento possibilita melhorar e aumentar a empregabilidade do brasileiro”. Ela apontou a necessidade de se pensar a educação em três grandes níveis: o nível superior; a educação básica, que perpassa uma valorização dos professores; e a questão dos cursos técnicos, que precisam ser mais valorizados no país.

“O emprego faz muito pelo desenvolvimento”, enfatizou Joana Silva, do Banco Mundial. Ela destacou que um aspecto muito importante é trazer o emprego como um elemento fundamental quando se pensa em crescimento econômico. Compuseram a mesa, também, Marcelo Pio, do Senai, Edson Domingues, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Maria Emília, do MTE. Todos os palestrantes foram enfáticos ao afirmar que haverá uma maior procura pelos cursos de Engenharia, devido ao grande crescimento no setor de construção civil, um dos sintomas dos anos de melhoria econômica pelos quais passou o Brasil.

Ocupação versus qualificação
Outro assunto abordado no seminário foi Qualificação profissional e competências cognitivas no mercado de trabalho brasileiro. A mesa foi composta por Aguinaldo Maciente e Paulo Meyer, técnicos do Ipea, por Eduardo Schneider, do Dieese, por Naércio Filho, da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Feres, secretário do Ministério da Educação (MEC), Luis Miller, do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) e Luis Caruso, do Senai, que coordenou a mesa.

Com o tema Competências cognitivas e técnicas e estruturas ocupacionais no Brasil, Maciente e Meyer discorreram sobre habilidades e requisitos ocupacionais. Meyer adiantou que será lançada, em dezembro, uma edição especial do Boletim Radar, em que o tema será relacionado às diferenças salariais e competências cognitivas.

Já Naércio pesquisou o comportamento da demanda e oferta por profissões de nível superior no país. No Brasil, a porcentagem de formados é de 10%, enquanto em países como Estados Unidos e Coreia esse índice chega a 40%. Assim, “é necessário primeiramente termos estudantes nas universidades”, enfatizou o técnico. Ele afirmou também que não há um apagão de mão de obra qualificada, pois houve um aumento dos números de qualificados no país: onde a oferta aumentou muito, o salário caiu, e vice-versa.

Na pesquisa, a profissão com maior desigualdade salarial foi a relativa à área de Economia. O técnico conclui que algumas carreiras, como as Engenharias, Odontologia, Psicologia e Medicina, parecem ter excesso de demanda com base na evolução dos salários, ocupações típicas e desemprego. O mesmo não ocorre com as profissões que tiveram a demanda suprida pelo crescimento da oferta, como Química, Jornalismo, Administração e Contabilidade.

“É necessário resgatar a cultura do trabalho no país”, destacou Luis Miller, ao relatar que certas profissões ainda sofrem preconceito – como as que envolvem a construção civil, como pedreiro –, embora sejam mais bem remuneradas que profissões largamente disputadas. Isso demonstra que é necessário mudar a visão desses tipos de profissão que atualmente têm grande demanda e pouca oferta.

 
 

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