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03/09/2013 08:52

Especialistas discutiram a política comercial agrícola

Desigualdade entre regiões, agricultura familiar e agronegócio também foram abordados no seminário, uma parceria do Ipea, ICTSD e Agroicone


Em parceria com o Centro Internacional de Comércio e Desenvolvimento Sustentável ( International Centre for Trade and Sustainable Development – ICTSD) e o Agroicone, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promoveu nesta terça-feira, dia 03, o seminário Política comercial agrícola no Brasil: é possível promover o desenvolvimento econômico e sustentável?. Realizado na sede do Instituto, em Brasília, o evento contou com a participação de vários especialistas que abordaram os objetivos da política comercial agrícola brasileira, as tendências internacionais e a segurança alimentar.

O diretor de programas do ICTSD, Christophe Bellman, abriu o evento destacando os desafios da política comercial agrícola no Brasil que promovam o desenvolvimento econômico e sustentável. A discussão abordou ainda saídas para acabar com a pobreza rural. Há especialistas que defendem o investimento em tecnologia; outros, a assistência técnica, e ainda, a participação do agronegócio.

O consenso entre os debatedores foi que as políticas agrícolas atuais, como o Plano Safra e o Crédito Rural, por exemplo, atendem eficazmente os agricultores já consolidados, contribuindo para o agronegócio. O desafio, no entanto, ainda é grande para incluir os pequenos agricultores nessas políticas. Outro fator destacado é a continuidade da desigualdade entre regiões, em que a situação de agricultores do Sul é bastante diferente dos agricultores da região Norte e Nordeste.

Para o pesquisador da Embrapa Eliseu Alves, a tecnologia privilegiou um grupo pequeno de produtores em detrimento da maioria. “O governo precisa compensar isso de alguma forma. Tem uma distorção na produção dos agricultores: 80% da produção vieram de 500 mil agricultores, enquanto 3% foram produzidos por quase 3 milhões”, pontuou o pesquisador. Ele destacou o papel do crédito rural e da transferência de renda como uma parte da política para compensar subsídios que outros países disponibilizam. “Mesmo com todas as iniciativas, as políticas ainda não são suficientes para colocar nossos produtores vis a vis com produtores americanos, por exemplo,” ressaltou.

Já para André Nassar, diretor do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais, a saída para acabar com a pobreza no campo está nas políticas macroeconômicas, na questão do trabalho e da aposentadoria agrícola. “Metade da pobreza no país está nas cidades. Isso mostra que o problema extrapola a questão apenas do campo”, defendeu.

Crescimento sustentável

Adriana Vieira, da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), apresentou um artigo onde apresentou as principais diferenciações da política agrícola nacional, dentre os vários programas em vigência, como a política de garantia de preços mínimos. “Nós percebemos que o agronegócio, de 1989 a 2012, teve ganhos de produtividade sem que se aumentasse a área de plantio”, disse, apontado o potencial de melhoria no comercio agrícola brasileiro com sustentabilidade.

Ressaltando que as políticas setoriais não são suficientes para garantir crescimento a longo prazo, José Garcia Gasques, coordenador de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), defendeu que a prioridade deve ser dada à educação, pesquisa e infraestrutura no campo. Ainda, Gasques frisou a importâncias das políticas macroeconômicas, como a política cambial e o incentivo à pesquisa, que conseguem alavancar o crescimento agrícola e aumentar a inovação. “É necessário avaliar a capacidade dessas tecnologias e entender como as políticas no Brasil se comportam referente a isso”, complementou José Eustáquio, técnico de pesquisa do Ipea.

“O objetivo de buscar uma classe média no campo é um dos principais desafios do governo Dilma. A capacidade das políticas públicas de dialogar com essas demandas nem sempre são eficazes”, frisou Fernando Gaiser, técnico de pesquisa do Ipea . Gaiser também apontou que os objetivos da política não são emblemáticos e têm por base a garantia do espaço de políticas públicas de desenvolvimento agrário, uma política tarifária adequada para abrir competitividade para as exportações brasileiras e uma política de defesa comercial e dos produtos sensíveis para exportação.

O senador Eduardo Suplicy também participou do seminário e realizou uma palestra sobre os pequenos agricultores e a importância da agricultura familiar para alavancar o crescimento do país.

 
 

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