Facebook Twitter LinkedIn Youtube Flickr
14/05/2014 11:26

Seminário do Ipea debate políticas agroambientais

Ao final do evento, obra sobre o tema foi lançada, em Brasília

Na manhã desta terça-feira, 13 de maio, a Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur) do Ipea realizou o seminário Políticas Agroambientais em Debate: a experiência que temos e o futuro que queremos, na sede do Instituto, em Brasília.

O debate é resultado do livro sobre o mesmo tema lançado ao fim do evento que reúne, além dos pesquisadores do Ipea, autores de áreas diversificadas da pesquisa no Brasil. O diretor-adjunto da Dirur, Bernardo Furtado, explica que “essa diversidade de pensamentos e pesquisas reunidas na publicação a torna mais interessante” e completa esclarecendo que será redigido um documento complementar com as impressões e discussões obtidas durante o encontro.

A técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea Regina Sambuichi abriu os trabalhos com a definição da palavra que norteia o seminário: “o termo agroambiental é usado para caracterizar as políticas e programas que promovem a minimização dos impactos causados pela agricultura no meio ambiente”, explicou.

Para Gabriel Lui, do Ministério do Meio Ambiente, não se pode deixar de lado a importância do espaço rural para as questões da biodiversidade, das mudanças climáticas e questões relacionadas a recursos hídricos. Lui afirma que a manutenção de uma boa qualidade do espaço rural é fundamental para a garantia da preservação dos recursos naturais.

Sustentabilidade na agropecuária
Um dos trabalhos apresentados foi o de Moacyr Bernardino, pesquisador da Embrapa, que abordou a recuperação das pastagens degradadas na Amazônia. Ele explica que a expansão da pecuária nessa região teve início na década de 60 à custa da devastação dos espaços florestais, sendo atualmente a região de maior produção e onde a pecuária continua se expandindo no Brasil. Segundo ele, o país precisa se preparar para esse fator de expansão da criação de bovinos nessa região e isso deve ser feito com a recuperação das pastagens. “Essa é a principal alternativa para conciliar o crescimento de pecuária na região Norte com a preservação ambiental”, sugere e completa: “não se deve e não se pode abrir novas áreas de florestas para implantar pastagens, temos áreas suficientes para serem recuperadas”.

O técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura (Diset) Gesmar Santos apresentou um estudo sobre a produção de etanol e políticas públicas. O pesquisador apontou que, para a questão ambiental ser fiscalizada com mais eficácia, precisa passar por duas questões: “uma é o financiamento para o produtor que segue as regras e a outra é criar medidas efetivas de incentivo econômico”. Segundo ele, isso é necessário a fim do produtor contribuir com as normas das regras ambientais e não crescer à custa da questão ambiental.

Sustentabilidade na agricultura familiar
A experiência do programa Proambiente foi exposta no seminário por Luciano Mattos, pesquisador da Embrapa Cerrados. O programa desenvolvido na Amazônia entre os anos de 2003 e 2006 funcionou de maneira mais eficaz como projeto do que como política pública. Porém, uma das falhas apontadas por Luciano é que “o programa teria funcionado melhor se tivesse sido ligado ao Ministério do Desenvolvimento Ambiental (MDA) ao invés do Ministério do Meio Ambiente (MMA) onde não encontrou espaço para a produção sustentável”, explicou.

Adriana Magalhães e Regina Sambuichi, pesquisadoras da Dirur, destacaram a sustentabilidade pelo viés dos programas de compras públicas sustentáveis: o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Magalhães afirmou que, apesar de o objetivo primário desses programas terem sido o incentivo à agricultura familiar, eles se tornaram também programas que apresentam benefícios de sustentabilidade. “Sem alcançar os padrões de consumo e produção não há como atingir um desenvolvimento sustentável”, alertou.

Para a pesquisadora, esses programas têm grande potencial para a sustentabilidade pelos resultados de diminuição da distância na entrega do produto; a diminuição do consumo de combustível e a diminuição da emissão de CO2. Segundo Magalhães, os agricultores menos estruturados são os que os que menos conseguem alcançar os benefícios do programa. “Sugerimos que melhorem a oferta da assistência técnica; o acesso ao crédito e auxiliem o fomento à organização dos produtores”.

Veja mais notícia sobre o seminário

Confira o livro Políticas Agroambientais e Sustentabilidade: desafios, oportunidades e lições aprendidas

 
 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil.
Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Expediente Portal Ipea