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14/05/2014 11:49

Ipea discute políticas agroambientais em seminário

Agricultura familiar e sustentabilidade foram alguns dos temas abordados

 

Crédito: João Viana
Evento reuniu especialistas, em Brasília

No dia 13 de maio, à tarde, duas mesas deram tom ao seminário Políticas Agroambientais em Debate: a experiência que temos e o futuro que queremos. Na primeira, o professor da Universidade Católica Dom Bosco (MS) Olivier Fraçois Vilpoux; o coordenador do Projeto Poço de Carbono Juruena, Paulo César Nunes; e a professora da Universidade de Brasília (UnB) Janaína Deane de Abreu Sá Diniz debateram aspectos das políticas agroambientais e de sustentabilidade na agricultura familiar.

Em relação ao aproveitamento econômico das áreas de reserva legal no Cerrado como o projeto desenvolvido nos assentamentos de Colônia I, no município de Padre Bernardo (GO), de “Márcia Cordeiro Leite” (Monjolo) e do Núcleo Rural Sítio Novo (Sarandi), ambos em Planaltina (DF), Diniz disse que a ideia foi pesquisar a cadeia produtiva de espécies vegetais nativas da região para mapear e identificar novas tecnologias de processos e produtos apropriados para agregação de valor às espécies vegetais nativas.

“Embora já haja registros de diversas experiências promissoras de extrativismo sustentável junto a comunidades da Amazônia, como no Cerrado estas são muito recentes, não é possível garantir que o aproveitamento econômico de algumas espécies não causará impactos nas regiões onde são coletadas”, destacou a professora da UnB. Ela também observou que, apesar do forte apelo socioambiental dos produtos originários das áreas de reserva legal, a estrutura de comercialização a partir das comunidades de agricultores familiares e extrativistas do Cerrado ainda é incipiente.

Olivier Vilpoux levantou o tema da sustentabilidade ambiental dos assentamentos no Mato Grosso do Sul. Com base em dados coletados entre 2008 e 2009, o estudo, que entrevistou 498 produtores em 19 assentamentos de 18 municípios, apontou para grandes dificuldades na manutenção do meio ambiente da região. “Como a maioria dos assentados são de outras regiões do Brasil, a experiência prévia adquirida com agricultura pode piorar a situação, já que a aplicação de tecnologias utilizadas em outras culturas pode ser inadequada na nova região”, lembrou o pesquisador.

Paulo César Nunes abordou os aspectos econômicos, ecológicos e institucionais da experiência consolidada em Juruena, município do Mato Grosso. Segundo o coordenador do Projeto Poço de Carbono Juruena, os impactos biofísicos dos Projetos de Conservação e Desenvolvimento Integrados na região relacionam-se com a intervenção econômica e institucional continuada, sendo o melhor exemplo de uma unidade paisagem (PA/VAM), que manteve 39% de cobertura florestal.

“Florestas manejadas, como as reservas legais dentro de PAs e em áreas de agricultura familiar na Amazônia (até 400 há), podem representar não apenas uma aquisição muito importante para uma estratégia de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD) (+ e ++), mas também como componentes importantes em economias sustentáveis regionais”, diz o capítulo assinado por Paulo Nunes, Jorge Luis Vivan e Peter Herman May. No caso do Mato Grosso, Paulo disse que a região apresenta um desenho institucional complexo, que inclui organizações não governamentais, entidades governamentais e municipais, agricultores e instituições privadas.

Cadastro Ambiental Rural e adequação florestal
A pesquisadora Cristina Yuri Vidal e o professor Ricardo Ribeiro Rodrigues da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ / USP) compartilharam experiências do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da instituição de ensino, que há mais de treze anos atua em projetos que visam à regularização ambiental e adequação agrícola de propriedades rurais. Para os estudiosos, os programas nesta área demonstram claramente que a promoção de uma agricultura de alta produtividade, praticada em um ambiente de elevada biodiversidade, deve ser o diferencial da agricultura brasileira no mundo.

Já o gerente de Regularização Ambiental da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do meio Ambiente, Allan Milhomens, e o secretário de Agricultura e Pesca do município de Lages (SC), Moisés Savian, abordaram o capítulo do livro que analisa potenciais contribuições do Cadastramento Ambiental Rural (CAR) para a melhoria e gestão do planejamento ambiental. Foram apresentadas algumas experiências de adequação ambiental realizadas no país com o Cadastro, as disposições deste instrumento no novo Código Florestal e as perspectivas de sua implementação no Brasil. O desafio para cadastrar todos os imóveis rurais do Brasil, segundo eles, é grande, mas a otimização do processo, com o apoio de geotecnologias, qualificam as informações, tornando-o possível.

Ao fim do seminário, foi lançado o livro Políticas Agroambientais e Sustentabilidade: desafios, oportunidades e lições aprendidas, que reúne os estudos apresentados no evento.

Leia o livro Políticas Agroambientais e Sustentabilidade: desafios, oportunidades e lições aprendidas.

 
 

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