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24/10/2014 08:49

Ipea retoma discussões sobre Sistemas Complexos

Nova rodada de debates contou com a presença do presidente da New England Complex Systems Institute, dos Estados Unidos, Yaneer Bar-Yam

O seminário Modelagem de Sistemas Complexos para Políticas Públicas, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em setembro, teve continuidade no dia 21 de outubro, com palestras durante todo o dia.

Durante a manhã, o diretor adjunto de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, Bernardo Furtado, apresentou a versão atualizada do escopo do projeto, que terá suas contribuições publicadas em um livro com 17 capítulos, escrito por vários autores internacionais, nacionais e do Ipea. Já o pesquisador Yaneer Bar-Yam, presidente da instituição americana New England Complex Systems Institute (NECSI), apresentou palestra sobre a influência das altas nos preços de alimentos na emergência de protestos ao redor do mundo. Para ele, certos períodos de grande agitação popular têm ligação direta com momentos de pico nos preços de alimentos.

Estavam entre os exemplos apontados pelo pesquisador os protestos que aconteceram no Brasil em junho de 2013. Bar-Yam aponta como um dos possíveis indutores de escaladas nos preços dos produtos alimentícios a preferência do mercado por commodities conversíveis em etanol, como o milho, no caso dos Estados Unidos.

Como solução para o problema, o pesquisador defende uma regulação capaz de evitar desequilíbrios de mercado no setor de alimentos. Assim, haveria redução da quantidade de commodities a serem transformadas em etanol e diminuição nos preços dos alimentos, como consequência. “A ideia de que mercados livres são opostos à regulação é totalmente errada”, afirmou.

À tarde, a pesquisadora do Ipea Marina Tovolli apresentou princípios da complexidade que podem ajudar a repensar a educação e a prática pedagógica. O ensino tradicional ou instrucionista tende a favorecer a transmissão de conteúdo descontextualizada, que promove a memorização de informações isoladas. Em frente a isso, a perspectiva da complexidade propõe o diálogo entre os saberes, e atenção especial para a heterogeneidade dos alunos.

Seguindo esse pensamento, a prática pedagógica deve permitir que o aluno desenvolva e estabeleça relações entre os diversos conhecimentos, sempre lembrando que cada aluno tem a sua própria forma de aprendizado.

A pesquisadora do Ipea Patrícia Sakowski abordou as aplicações de sistemas complexos na área da Educação no país, tais como a utilização de modelagem computacional e simulação na prática pedagógica, a mineração de dados educacionais e o uso de sistemas tutoriais inteligentes.

Ademais, considerando a diferença de aprendizado de cada aluno e o problema de distorção idade-série, Patrícia chamou a atenção para a elevada heterogeneidade presente nas salas de aula no país. Para ela, o ensino personalizado (personalized learning) apresenta-se como uma interessante abordagem para a redução da desigualdade educacional no país, respeitando a heterogeneidade/individualidade de cada aluno.

Em seguida, Bar-Yam retomou a palavra com provocações metodológicas sobre aplicações dos sistemas complexos.

 
 

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