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30/05/2018 18:59

Ipea divulga estudo sobre a conjuntura da economia agrícola brasileira


Pesquisa estima uma queda de 1,3% para o PIB agropecuário em 2018, após forte crescimento de 13% em 2017

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou nesta terça-feira, 29, em Brasília, a divulgação da seção Economia Agrícola da Carta Conjuntura nº 39. O estudo apresenta dados do primeiro trimestre do ano sobre mercados e preços agropecuários, comércio externo e mercado internacional, nível de atividade e emprego, produção de insumos agrícolas e crédito rural. De acordo com a pesquisa, o primeiro trimestre foi marcado por um movimento de recuperação dos preços nas cotações domésticas dos produtos agropecuários - com exceção do arroz e do café - e da produção de suínos e frangos.

José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, da Divisão de Agricultura da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur/Ipea), afirmou que os principais fatores responsáveis por esse movimento positivo nos preços agrícolas foram a desvalorização da taxa de câmbio e a redução da oferta internacional de alguns produtos importantes, como soja e trigo. Em relação ao produto interno bruto (PIB), o setor agropecuário deve exercer impacto negativo no desempenho de 2018. O Grupo de Conjuntura do Ipea estima uma queda de 1,3% para o PIB agropecuário em 2018 - após forte crescimento de 13%, em 2017.

Segundo José Ronaldo de Castro Souza Junior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac/Ipea), esta seção foi preparada com base nos dados disponíveis até a semana passada, por isso, ainda não é possível calcular os impactos econômicos da greve dos caminhoneiros sobre o escoamento da produção e o recebimento de insumos pelo setor.

Quanto aos produtos pecuários, Nicole Rennó Castro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP), explicou que a melhora na demanda interna pelos produtos lácteos e o bom desempenho da exportação da carne bovina foram fatores importantes para explicar a alta de preços.

Mercado internacional
Com relação ao comércio externo e mercado internacional, Ana Cecília Kreter, da Dimac/Ipea, destacou que a soja e o trigo estão 10% mais caros no mercado internacional. Segundo Kreter, as maiores exportações de soja neste ano serão feitas por Brasil, Rússia e Ucrânia, para compensar a queda na exportação da Argentina e do Uruguai. A pesquisadora sublinhou ainda que os preços dos pães, bolos e outros produtos derivados do trigo devem aumentar no Brasil, por conta da perda de 50% da safra do trigo em algumas regiões da Argentina, principal fornecedor do produto para o Brasil.

José Garcia Gasques, coordenador-geral de estudos e análises da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPA/Mapa), ressaltou que o setor de ovos teve uma grande recuperação dos preços. Além disso, em 2018, a soja e o algodão obtiveram os melhores valores de produção desde 1989. Enquanto isso, o arroz, a cana-de-açúcar, o feijão, a laranja, a mandioca, o milho e a uva tiveram desempenhos desfavoráveis.

Já as exportações de máquinas agrícolas foram bastante positivas, tanto comparando o primeiro quadrimestre de 2018 com o do ano passado quanto comparando o primeiro quadrimestre de 2018 com a média do período de 2015-2017. Foi o que salientou Rogério Edivaldo Freitas, técnico de planejamento e pesquisa da Dirur/Ipea. No entanto, fato oposto foi verificado em termos das vendas totais, que foram menores no primeiro quadrimestre de 2018 que na média de iguais períodos de anos anteriores.

Crédito Rural
De acordo com a seção da Carta de Conjuntura, os financiamentos de investimento agropecuário realizados com as diversas fontes de recursos aumentaram 27,9% (quando comparado o período de julho de 2016 a abril de 2017 com o período de julho de 2017 a abril de 2018). Os programas prioritários Inovagro (que financia projetos de inovação tecnológica nas propriedades rurais), PCA (que financia a construção de armazéns), Moderinfra (que financia sistemas de irrigação), e o Programa ABC (que financia projetos produtivos sustentáveis mitigadores de emissão de gases causadores do efeito estufa) aumentaram, respectivamente, 132,3%, 91,1%, 63,9%, e 50,5%.

Antônio Luiz Moraes, coordenador-geral de Crédito Rural da SPA/Mapa, assinalou que o valor médio dos contratos aumentou 13% e que há uma tendência de concentração dos recursos. Segundo dados do estudo, essa tendência de concentração está amparada no aumento da participação dos recursos livres no funding do crédito rural, já que esses recursos não impõem limite de financiamento por beneficiário.

Antônio Moraes lembrou ainda que o Plano Safra 2018/2019 deve ser anunciado pelo Governo Federal a partir de 5 de junho. Segundo ele, trata-se de uma oportunidade para refletir sobre os novos desafios e o papel do Estado no crédito rural.

Clique aqui e confira a seção completa no blog da Carta de Conjuntura

 

 
 

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