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TD 1256 - A Importância da Queda Recente da Desigualdade na Redução da Pobreza

Ricardo Paes de Barros, Mirela de Carvalho, Samuel Franco e Rosane Mendonça / Rio de Janeiro, janeiro de 2007

Neste estudo, buscamos documentar a contribuição da queda recente da desigualdade para o crescimento da renda dos mais pobres e, conseqüentemente, para a redução da pobreza e da extrema pobreza no país. Investigamos, em primeiro lugar, o crescimento da renda dos mais pobres. Demonstramos que, entre 2001 e 2005, houve crescimento anual de 0,9% da renda nacional, porém os mais ricos perderam. A taxa de crescimento anual da renda dos 10% e dos 20% mais ricos foi negativa (0,3% e 0,1%, respectivamente). Então, para a renda nacional ter crescido, os mais pobres necessariamente devem ter ganhado. De fato, a taxa de crescimento da renda dos 10% mais pobres atingiu 8% ao ano. Portanto, o período 2001-2005 foi marcado por duas transformações desejáveis na distribuição de renda brasileira: houve crescimento (embora muito modesto) e a desigualdade reduziu-se significativamente (o coeficiente de Gini, por exemplo, caiu 4,6%). A seguir, documentamos a acentuada queda na pobreza ocorrida entre 2001 e 2005. Demonstramos que, ao contrário do que historicamente acontece no país, recentemente, a queda na pobreza resultou sobretudo da redução no grau de desigualdade. A porcentagem de pobres e também a de extremamente pobres caíram cerca de 4,5 pontos percentuais cada uma. A novidade desse período é que, ao contrário de outros episódios históricos em que a pobreza também se reduziu significativamente, dessa vez, a principal força propulsora foi a redução na desigualdade e não o crescimento. Por fim, investigamos o grau de substituição e complementaridade entre crescimento e reduções na desigualdade para o combate à pobreza, demonstrando que para alcançar a mesma queda na pobreza, contando apenas com o crescimento, seria necessário aumentar a renda de todas as famílias em 14,5% e para alcançar a mesma queda na extrema pobreza, seria necessário um crescimento de 22%.

In this study we document the contribution of the recent decline on income inequality to the income?s growth of the poorest and consequently to the reduction of poverty and extreme poverty in the country. First, we investigate the income growth of the poorest. We demonstrated that, between 2001 and 2005, the national income grew 0,9% a year, but the richest lost. The annual income growth rate of the richest 10% and 20% was negative (0,3 and 0,1, respectively). Then, once the national income grew, the poorest necessarily have perceived some gain. In fact, the income growth rate of the poorest 10% reached 8% a.a. Therefore, the 2001?2005 period register two desirable transformations in the Brazilian income distribution: there was growth (although very modest) and the degree of inequality reduced significantly (the Gini coefficient, for example, decline 4,6%). Next, we analyze the huge decline on poverty in this period. We demonstrated that, on the contrary to the history of the country, the recent decline on poverty essentially resulted from the decline of inequality. The percentage of poor and also the extremely poor fell down 4,5 percentage points each. The novelty is that in this period the main determinant was the inequality decline and not the income growth. Finally, we investigate the degree of substitution and complementation between growth and inequality reductions to fight against poverty. We demonstrated that to reach the same decline on poverty, just counting with growth, it would be necessary to increase the income of all families in 14,5%, and to reach the same decline on extreme poverty it would be necessary to increase the income of all families in 22%.



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