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01/04/2010 15:42

País deve internalizar boas práticas ao cultivo transgênico

No segundo dia do seminário no Mapa, pesquisadores também discutiram a transição de paradigmas de desenvolvimento rural
 
A segunda parte do evento seminário A agricultura brasileira: desempenho recente, desafios e perspectivas, promovido pelo Ipea e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na última terça-feira, dia 30, contou com a exposição do doutor e sociólogo Arilson Favareto sobre a transição dos paradigmas de desenvolvimento rural. "Há a evasão das bases do paradigma agrário e produtivista e a emergência de uma nova ruralidade, com novas formas de uso dos recursos naturais", disse.
 
O professor da Unicamp e doutor em Economia José Maria da Silveira ressaltou que o Brasil é hoje o segundo país em cultivo de transgênicos no mundo, já à frente da Argentina. Segundo ele, o maior desafio é transformar a regulação em uma prática do dia a dia dos agricultores, das associações e cooperativas. "É internalizar algumas boas práticas ao uso dos cultivados transgênicos", afirmou. Em sua apresentação, Zander Navarro, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), defendeu que a agricultura familiar não é um conceito e não se enquadra na categoria de nenhuma problemática teórica ou escola de pensamento.
 
Já no último bloco de discussão, o pesquisador da Embrapa Eliseu Alves verificou, com base nos dados do IBGE, que há uma concentração muito grande da produção no Brasil. "Cerca de 430 mil estabelecimentos dos 5,2 milhões produzem 85% de toda a produção brasileira. Isso leva o governo a ter um conjunto de políticas para ajudar a agricultura familiar, aqueles que estão à margem desse processo, que somam quase 4 milhões."
 
O ex-ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome José Graziano explicou que há distintos atores sociais no campo que brigam para ter uma representação maior frente ao Estado, a fim de fazer jus a recursos públicos, desde os créditos até os subsídios. Em seu estudo, ele aponta que há uma desigualdade muito grande nessa luta em função de existir uma bancada ruralista - embora os grandes agricultores não cheguem a 200 mil, eles têm um peso no Congresso de 23%, quase um quarto.
 
"Os maus pagadores prejudicam os bons na medida em que, hoje, o montante das dívidas renegociadas vai consumindo cada vez mais o volume de créditos e de recursos públicos, e isso pode inviabilizar o desenvolvimento das agriculturas brasileiras", alertou. Expuseram ainda seus trabalhos Geraldo Barros, da USP, Antônio Campos e Marcelo Braga, da UFV, e Guilherme Dias, da USP.

 
 

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